Acordei triste na penumbra do meu quarto. Nunca fui simpatizante das segundas feiras, mas aquela segunda feira não seria apenas mais uma, mudaria minha vida. No caminho para a faculdade pensei muito em como fazer o trabalho de produção textual, havia uma semana que a professora tinha nos apresentado a tarefa sobre a história da Bela Adormecida e eu nem tinha pensado em como fazer. A aula ocorreu normalmente, e nada que mudasse o percurso da história aconteceu. Após ter acabado a aula Passei na biblioteca para renovar o empréstimo da Fábula da “moça dorminhoca”. O dia passava, porém o sentimento de ser um dia qualquer não. Eu estava preso a minha rotina de internet, games, ouvir música, mas Infelizmente fazer os trabalhos propostos pelos professores não fazia parte da minha rotina.
A noite vagarosamente aproximava-se juntamente com ela veio à vontade, e mais do que isso, a necessidade de ler a história. Comecei a ler sem muito interesse só que em certa parte da história me deparei com páginas em branco. Adormeci por um momento, mas me recompus logo em seguida. Para minha surpresa eu não estava em casa na minha cama. Fiquei perplexo com a situação. Antes que eu pudesse me levantar um senhor estranho vestindo roupas velhas, sujas que pareciam ter saído do século passado abordou-me com o semblante de felicidade no rosto, como se estivesse me esperando há 100 anos, e para minha surpresa era esse tempo que ele estava me aguardando. Questionou- me se eu salvaria a princesa com aquelas roupas, mas eu lhe disse que era negro, e nunca tinha visto alguma fábula em que o príncipe fosse negro. O velho astuto acabou me convencendo que eu era o tão esperado príncipe, pois contou- me que vinha sonhando há muitos anos com o nosso encontro. Coloquei as vestes encardidas, tirei os brincos, colar, boné e sentei-me para ouvir suas instruções. Mesmo lhe dizendo que conhecia a história, fez questão de repetir. Começou falando que a moça que dormia éra muito bela, gentil, encantava a todos no povoado, menos a fada que lhe colocou a maldição no dia da celebração do seu nascimento. Eu estava entediado, pois essa parte eu já tinha lido e sabia também que ela furou o dedo na agulha de uma roca no dia do aniversário de 15 anos.
Após ter convencido aquele senhor que eu sabia um pouco da história, dirigir-me ao castelo. Na entrada arranhei o lado esquerdo do meu rosto, e com muita dificuldade venci os obstáculos. Subi no alto de uma torre e avistei uma menina com a aparência de 15 anos. Surpreendentemente não vi ali deitada a mesma moça linda que todos os livros contavam, e até mesmo o senhor das instruções houvera me dito. Certamente os valores de beleza haviam modificado, e ela, no século 21 não faria sucesso nem em baile funk. Porém eu não estava ali para mudar o rumo da história e teria que beijá-la. E eu o fiz. Dei um beijo sem vontade por obrigação. Ela acordou, deu um sorriso cativante que por um momento deixou-a menos feia. Agradecimentos não me faltaram tanto da parte dela quanto do rei e da rainha, que nos acharam na torre. O rei me propôs que cassasse com ela. Nesse momento acordo em casa apavorado gritando não. Sem entender nada vou ao banheiro e pelo reflexo do espelho vejo um arranhão no lado esquerdo do meu rosto. Fiquei confuso entre realidade e ficção, mas o livro com todas as páginas escritas encima da minha escrivaninha tirou minhas dúvidas. Eu salvei a princesa.
Reescrita por Sr. Popo
Reescrita por Sr. Popo

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEu amei as ilustrações!
ResponderExcluirMas a história é divertidíssima! Muito boa!