terça-feira, 3 de maio de 2011

A "Bela" Adormecida e o Príncipe Negro




Acordei triste na penumbra do meu quarto. Nunca fui simpatizante das segundas feiras, mas aquela segunda feira não seria apenas mais uma, mudaria minha vida. No caminho para a faculdade pensei muito em como fazer o trabalho de produção textual, havia uma semana que a professora tinha nos apresentado a tarefa sobre a história da Bela Adormecida e eu nem tinha pensado em como fazer. A aula ocorreu normalmente, e nada que mudasse o percurso da história aconteceu. Após ter acabado a aula Passei na biblioteca para renovar o empréstimo da Fábula da “moça dorminhoca”. O dia passava, porém o sentimento de ser um dia qualquer não. Eu estava preso a minha rotina de internet, games, ouvir música, mas Infelizmente fazer os trabalhos propostos pelos professores não fazia parte da minha rotina.                                 
A noite vagarosamente aproximava-se juntamente com ela veio à vontade, e mais do que isso, a necessidade de ler a história. Comecei a ler sem muito interesse só que em certa parte da história me deparei com páginas em branco. Adormeci por um momento, mas me recompus logo em seguida. Para minha surpresa eu não estava em casa na minha cama. Fiquei perplexo com a situação. Antes que eu pudesse me levantar um senhor estranho vestindo roupas velhas, sujas que pareciam ter saído do século passado abordou-me com o semblante de felicidade no rosto, como se estivesse me esperando há 100 anos, e para minha surpresa era esse tempo que ele estava me aguardando. Questionou- me se eu salvaria a princesa com aquelas roupas, mas eu lhe disse que era negro, e nunca tinha visto alguma fábula em que o príncipe fosse negro. O velho astuto acabou me convencendo que eu era o tão esperado príncipe, pois contou- me que vinha sonhando há muitos anos com o nosso encontro. Coloquei as vestes encardidas, tirei os brincos, colar, boné e sentei-me para ouvir suas instruções. Mesmo lhe dizendo que conhecia a história, fez questão de repetir. Começou falando que a moça que dormia éra muito bela, gentil, encantava a todos no povoado, menos a fada que lhe colocou a maldição no dia da celebração do seu nascimento. Eu estava entediado, pois essa parte eu já tinha lido e sabia também que ela furou o dedo na agulha de uma roca no dia do aniversário de 15 anos.                          
  Após ter convencido aquele senhor que eu sabia um pouco da história, dirigir-me ao castelo. Na entrada arranhei o lado esquerdo do meu rosto, e com muita dificuldade venci os obstáculos. Subi no alto de uma torre e avistei uma menina com a aparência de 15 anos. Surpreendentemente não vi ali deitada a mesma moça linda que todos os livros contavam, e até mesmo o senhor das instruções houvera me dito. Certamente os valores de beleza haviam modificado, e ela, no século 21 não faria sucesso nem em baile funk. Porém eu não estava ali para mudar o rumo da história e teria que beijá-la. E eu o fiz. Dei um beijo sem vontade por obrigação. Ela acordou, deu um sorriso cativante que por um momento deixou-a menos feia. Agradecimentos não me faltaram tanto da parte dela quanto do rei e da rainha, que nos acharam na torre. O rei me propôs que cassasse com ela. Nesse momento acordo em casa apavorado gritando não. Sem entender nada vou ao banheiro e pelo reflexo do espelho vejo um arranhão no lado esquerdo do meu rosto. Fiquei confuso entre realidade e ficção, mas o livro com todas as páginas escritas encima da minha escrivaninha tirou minhas dúvidas. Eu salvei a princesa.

                                           Reescrita por Sr. Popo

segunda-feira, 2 de maio de 2011

La Belle au Bois Dormant (A Bela Adormecida)


             
                Era uma vez, em um reino tão distante quanto à imensidão, um enorme e suntuoso castelo, cercado por um paupérrimo vilarejo. Neste castelo, dura fortaleza de pedra e concreto, residia um rei e uma rainha, desejosos por um herdeiro para seu trono, mas traídos por sua própria natureza que lhes impedia de gerar um filho. Neste ínterim, certo dia, lhes fora deixada uma cesta em frente aos ameaçadores e enferrujados portões do castelo, carregada de um bebê e apenas uma pequena nota dizendo “este é meu presente, não procurem saber sobre o passado, pensem apenas no futuro”. Tomados pela dúvida, mas penalizados, decidiram que cuidariam do frágil e rosado bebê, lhe alcunhando filha. Para não despertar a cólera de seus súditos, ávidos por um substituto de sangue ao rei, decidiram convocar uma grande celebração e convidaram sete fadas, cada uma guardiã de determinada virtude. Pediram-lhes, em segredo, que alegassem ter intercedido magicamente e dado à rainha um filho legítimo, através de seus poderes místicos.

           Entretanto, uma das fadas decidiu não participar, esta sendo a representante da castidade. Temendo que a mesma pudesse revelar seu segredo profano, o rei ordenou que seus capatazes a perseguissem e decretou que fosse sacrificada em prol da paz e harmonia no reino. Antes de perecer, a fada profetizou: “Quando a princesa completar quinze anos cairá sobre teu reino a dor, desgraça e sofrimento. Tua filha dormirá por 100 dias e se levantará com teu reino caído”.

         Então o dia do festejo chegou, milhares de nobres adentravam o enorme salão central do castelo, revestido de ouro e beleza, enquanto a plebe se empoleirava nos perigosos e escorregadios muros que lhes separavam de tamanha festa. O rei, altivo em seu dia de glória, proclamou que cada uma das fadas deveria presentear o bebê com suas virtudes maravilhosas: A fada da generosidade tornou-a afável e altruísta; A fada da temperança lhe fez moderada; A fada da diligência a fez determinada; A fada da paciência ergueu-a serena; A fada da caridade lhe fez compassiva e a última, fada da humildade, lhe proveu a abnegação.

       No decorrer da comemoração, tentaram aproximar sete mendigos e suplicaram por um pedaço de pão, já consumidos pela fome. O rei ordenou que fossem expulsos do castelo, enquanto a realeza, jocosamente, lhes apontava e gargalhava possuídos pela ebriedade. Humilhados, os esfarrapados e consternados mendigos, partiram com rancor em seus corações.

       Quinze anos se passaram e os festejos de comemoração para o aniversário da princesa se aproximavam. No dia da grande comemoração, o rei e a rainha deixaram o castelo para receberem, em uma cidade longínqua, um duque de outro reino. Neste ínterim, um jovem belíssimo se aproximou dos portões. Como em um passe de mágica, eles se abriram e, por onde passasse, os guardas e serviçais tombavam inertes. Quando todos súditos no castelo caíram neste estado, o rapaz se aproximou do quarto de tão bela e virtuosa princesa. Ao recebê-lo, a jovem sentiu-se de maneira como nunca havia antes, um clamor lascivo lhe tomava a cabeça enquanto seu corpo repousava na cama de ouro. Quando os lábios de ambos se encostaram, a princesa tombou em um sono pesado, impenetrável e denso. Assim como chegou, enigmático desapareceu por dentre as sombras que dominavam a fortaleza. Apenas deixou uma pequena nota na cabeceira da cama. Quando o casal real retornou, caíram pasmos diante daquela situação calamitosa, consternados em ver seus súditos e, principalmente, sua filha, tombados em tão vil torpor.

          Ao ler a nota deixada, o rei espantou-se com suas palavras: “Sabes quem esteve em teu castelo? Lembra-te de mim? Sou um dos mendigos que humilhastes nos festejos para tua filha. Só pude entrar em tua morada porque vos esquecestes de imbuir tua filha em uma virtude: a castidade, provida pela fada que reservastes destino tão terrível. Represento a luxúria, sou o espírito das paixões, tua filha não era casta e deixou-me possuí-la. Regozija-te em teu declínio”.

           As semanas se passaram e o reino caia em desgraça. Os plebeus não tinham mais comida, provida toda pelos serviçais que, agora, jaziam em torpor. O rei e a rainha viviam em miséria, cerceados por gritos e súplicas oriundas do outro lado do muro rígido que lhes separava da escória camponesa. Tempos depois, completados noventa e nove dias a partir do acontecimento, os muros começaram a tremer, milhares de mãos os empurravam rumo ao chão. Quando o exército de populares adentrou o castelo, espantaram-se com seu estado decrépito; corpos de serviçais tomavam o chão enquanto o rei e a rainha permaneciam, imóveis, em seus tronos enferrujados. Consternados por terrível imagem, cercaram o rei e lhe deram um pedaço de pão, enquanto carregavam o casal para fora da edificação. Logo, as paredes começaram a ceder e o castelo ruiu, levando apenas o tempo para um jovem camponês retirar o corpo da bela princesa, que repousava a tanto tempo, de seu cômodo escuro.

       Apenas um dia depois, a bela menina acordou-se, deitada em uma cama de vime, cercada por humildes, mas, aconchegantes braços de uma mulher caridosa. Tão virtuosa, lhe cedeu à compaixão e emergiu em lágrimas, para apenas depois receber um intenso e caloroso abraço do rei e da rainha, agora trajando trapos. Surgiu-lhe na cabeça que tão generosa mulher, salvadora de sua família, era aquela que lhe deu a vida, que gerou e entregou-a para o rei, a fim de ser a chave para a libertação do povo sofrido que vivia do outro lado do muro. Não obstante, cerca de cinco anos depois, casou-se com o rapaz que lhe salvou a vida dentre o castelo em ruína e tomou o poder, agora longe de castelos e muros, para ser a rainha dos plebeus, de seu povo, dos pobres.

       Este que vos conta esta história viveu-a e pôde aprender valorosa lição; Vi tronos enferrujarem, reinos caírem, reis esfomeados suplicarem por pão, mas, hei de ver um dia, aquilo que a virtude dos humildes não possa edificar.     

Postado por Mysterious Guy

A Bela Adormecida de Buchholzville



Com certeza vocês já ouviram essa história. Mas ninguém nunca lhes contou a verdade. Eu, melhor do que ninguém, posso conta-lá. Afinal foram anos ouvindo sempre a mesma história, que a avó da minha avó contava pra ela.
Há muitos anos atrás, em um reino muitíssimo distante, o Rei e a Rainha de BuchoolzVille sonhavam em ter uma filha. Uma menina que seria muito amada por seus pais e por todo reino. Já haviam se passado anos do casamento de Henrique e Marieta sem que a desejada criança viesse para abençoá-los. O que eles não sabiam é quem nunca poderiam ter um filho nascido deles. Mas ainda assim teriam o seu desejo realizado, mesmo sem saber do infortúnio de não poderem ter filhos.
Numa manhã de domingo, um casal de camponeses do reino de BuchoolzVille, cuja mulher tinham acabado de ganhar uma linda menina, estavam muito preocupados com o futuro dela. O pai já doente e a beira da morte porque havia contraído uma doença meses depois de sua esposa engravidar, não sabia como faria para amparar sua mulher e filha após sua morte. Muito chateada a camponesa resolveu que entregaria a filha a um casal que pudesse criá-la e que iria amar a menina como se fosse deles. Minutos antes da morte o pobre camponês aconselhou a esposa que deixasse a linda filha deles na frente da porta do castelo do Rei e da Rainha. Todo o vilarejo sabia do desejo deles em ter uma filha e por isso acreditou que eles ficariam felizes em receber aquela menina.
E assim a camponesa a deixo na porta do castelo. Muito infeliz de ter que deixar a filha, ela não se conformava, queria achar um meio de ficar perto dela.
Ao descobrir aquela criança na frente do portão do castelo,o Rei e a Rainha ficaram comovidos. Procuraram por todo o reino os pais da menina. Queriam descobrir os motivos que os levaram a tal ato. Semanas se passaram e nada descobriram sobre a origem da criança. Muito sensibilizada a Rainha sugeriu ao Rei que eles criassem a menina como se fosse deles, afinal já tentavam há anos ter uma filha e não conseguiam. Após relutar, por não achar justo decidirem o futuro da criança daquela forma, o Rei cedeu ao pedido da Rainha e decidiu criar a menina.
Vamos chamá-la Aurora, a deusa romana do amanhecer, pois ela iluminará todos os nossos dias de agora em diante – disse Marieta.
Feliz, como nunca antes, a rainha decidiu fazer uma linda festa de batizado para apresentar sua filha a todo o reino. Todos os cidadãos foram convidados, todos os serem encantados e toda a realeza também.
No dia do batizado vieram três fadas madrinhas, Fauna, Flora e Primavera para dar-lhes os seus presentes.
- Eu, Fada Flora lhe presenteio, Princesa Aurora, com imensa beleza.
- Eu, Fada Fauna, presenteio-lhe, Princesa Aurora, com uma maravilhosa voz para o canto.
- Eu, Fada Primavera...
 Mas antes que Primavera pudesse dizer qual era o seu presente, um furacão invadiu o palácio, e com ele entrou Malévola, a Bruxa do Mal.
Ela estava furiosa por não ter sido convidada para a festa.
- Eu sou Malévola sou invejosa, poderosa e muito gostosa! Não me convidaram para a festa, não é?! Pois agora estou muito brava!!! 
Malévola jogou na inocente criança uma terrível maldição.
- No dia em que completar 16 anos, Aurora espetará o dedo no fuso de uma roca de fiar e morrerá!
 Após pronunciar estas palavras horríveis, ela sumiu no ar. Por sorte, ainda faltava o presente de Primavera.
- Minha magia não é tão forte quanto a de Malévola, por isso só posso tentar atenuar a maldição. Aurora não morrerá, mas entrará num sono profundo, do qual só vai despertar com um beijo de amor sincero. 
O Rei e a Rainha ficaram muito assustados com o acontecido. Resolveram que jamais se afastariam da pequena Aurora. Que protegeriam a menina a todo custo. Temendo que algum mal fosse feito a sua filha, Marieta resolveu contratar uma criada para ajudá-la a cuidar de Aurora.
Ao saber que a Rainha queria uma babá para a pequena princesa, a camponesa - mãe verdadeira da menina - viu a sua grande chance de ficar perto da filha sem que ninguém soubesse de nada. Seria perfeito! O futuro de Aurora garantido e ela ali tão próxima da filha e logo se prontificou para tal serviço.
Marieta ficou encantada com a babá que parecia querer bem a sua filha tanto quanto ela e a contratou.
Foram se passando os anos sem que ninguém se preocupasse com a maldição da Bruxa do mal, afinal ela nunca mais deu as caras pelo reino e ninguém nunca mais ouviu falar nela.
Próximo ao aniversário de 16 anos da princesa, a babá descobriu que sua tia ainda estava viva e precisava de sua ajuda. Comovida ela resolveu que viajaria para cuidar da tia que já estava velha e doente.
No dia do aniversário de 16 anos de Aurora, a criada que sempre esteve ao seu lado não estava presente. Porém sua mãe cuidou pessoalmente de todos os detalhes de sua festa. Como a princesa era muito querida por todos do reino, todos ajudaram na arrumação da festa. Até as fadas madrinhas de Aurora, estavam presentes para ajudar e comemorar seus 16 anos, assim como em todos os anos anteriores.
Apesar de ninguém em BuchoolzVille se lembrar da maldição da bruxa Malévola, a bruxa lembrou bem daquele dia em que amaldiçôo a princesa. E pelas suas contas aquele seria o dia em que Aurora completaria 16 anos.
Disfarçada Malévola foi até BuchoolzVille para cumprir a maldição. Chegando lá, ninguém a reconheceu. Ela se disfarçou de criada do castelo e disse a princesa que gostaria de lhe entregar um presente. Sem desconfiar de nada Aurora seguiu aquela mulher muito gentil. Malévola levou a linda menina a um aposento escuro e escondido dentro da torre do castelo. Lá a princesa encontrou uma roca de fiar. Malévola disse a ela que se sentasse junto à roca e esperasse por ela, pois seu presente estava logo ali. Curiosa, a princesa, tomou da roca por fiar e espetou seu dedo e com isso a maldição se cumpriu.
Junto com Aurora todo o reino adormeceu. Tal fato se espalhou por todos os outros povoados. Até mesmo o povoado onde a tia da criada da princesa se encontrava. Muito triste a criada não pode voltar a BuchoolzVille, pois seria amaldiçoada também.
Malévola, espalhou aos sete ventos que Aurora só voltaria a acordar após 100 anos e com um beijo do amor verdadeiro.
Empenhada, a verdadeira mãe da princesa procurou por um príncipe que pudesse salvar Aurora. Anos se passaram e nenhum príncipe conseguiu salvar Aurora.
A verdadeira mãe de Aurora refez sua vida no vilarejo onde estava e teve outra filha. Ela sempre contava a história de Aurora a ela. E assim a filha da criada contou aos seus filhos e netos.
Cem anos se passaram até o amor verdadeiro encontrar a bela princesa adormecida. E com um beijo apaixonado a princesa acordou e todo o reino também e os dois foram felizes para sempre. Pelo menos foi isso que minha bisavó me contou.

Postado por Diana

A Bela Adormecida

   A Bela Adormecida    


               Vivia em um belíssimo castelo real, muito diferente do local onde me encontro hoje. Era respeitada por todos e amada por meu esposo. Porém a meus olhos isso não bastava, para a felicidade ser completa eu precisava dar um herdeiro ao Rei.
     Passaram-se alguns anos e a minha agonia só aumentava, principalmente ao ver o desapontamento de Vincent diante da possibilidade de eu nunca conseguir dar-lhe um filho.
    Certo dia resolvi dar um passeio nas redondezas do castelo e avistei um vilarejo de camponeses, ao aproximar-me de uma humilde casa eu vi uma jovem grávida apanhando ervas no jardim. Fiquei a observar durante alguns minutos, invejando aquela humilde camponesa que parecia tão feliz.
     No caminho de volta ao castelo, me ocorreu uma ideia da qual me arrependerei eternamente, mas que tomou conta da minha cabeça a ponto de não conseguir pensar em outra coisa. Tentei afastá-la porém não adiantou, então decidi por em prática.
     Todos os dias a partir daquele momento, eu rodeava o vilarejo observando a moça. E foi assim até o dia que a jovem deu a luz. Neste dia eu estava próxima e vi toda a movimentação, uma anciã entrou na casa com um jarro em mãos e algumas mulheres se aproximaram e comentavam o acontecimento. Eu estava por de trás de alguns arbustos e fiquei lá até tudo se acalmar e todas irem para suas casas. Então caminhei até a porta do casebre, esta estava entre aberta e pude ver o bebê em um cesto e a mãe ao lado dormindo. Entrei silenciosamente, peguei a criança no colo e levei-a.
    Chegando ao castelo tive que enfrentar meu maior medo, que era contar a Vincent o que eu havia feito. Ao falar-lhe percebi que a maneira como ele me olhava demonstrava decepção e um certo desprezo pelo meu ato. Porém ao ver a menina, seu olhar se iluminou e ele resolveu aceitar e acobertar o que fiz. Decidimos então dar-lhe o nome de Clair.
     Passados alguns dias do acontecido, eu caminhava no jardim do castelo com Clair nos braços quando, surgida do nada, apareceu a jovem da qual roubei a criança. Muito assustada fiquei sem ação diante daquela mulher. Foi então que ela lançou-me estas palavras que jamais esquecerei:
     - Esta criança que carregas nos braços como se fosse sua, mas que foi gerada em meu ventre, trás consigo um poder imenso que vem sendo passado por todas as gerações da nossa família.  Porém este poder pode influencia-la negativamente, fazendo com que se torne uma pessoa má e sem escrúpulos. Para que isto não aconteça você deve devolver-me a menina, pois ela deve ser criada por alguém que conheça o dom que ela possui para poder ajudá-la.
     - De maneira alguma. Eu lhe disse.
     - Então todos que rodeiam a menina sofrerão as consequências.
     - Sei que estas mentindo, uma criança com um olhar tão angelical não será capaz de cometer uma maldade sequer. Falei-lhe
     - Irás lembrar de minhas palavras, porém será tarde. Disse ela sumindo por entre as árvores.
     Alguns anos se passaram, Clair cresceu e se tornou uma linda menina de olhar expressivo e brilhante, pele alva e um sorriso lindo. Mas algo me preocupava, ela tinha uma personalidade muito forte, não gostava de ser contrariada e alternava momentos de alegria extrema com momentos de irritação e fúria.
     Nosso relacionamento era de cumplicidade, mas sentia que em certos momentos ela se tornava dominadora, a ponto de me convencer a encobrir seus erros, para que seu pai não descobrisse.
     Com seu pai ela era extremamente carinhosa, simplesmente o adorava e conseguia dele o que quisesse. Ele orgulhava-se muito dela, pois Clair era muito inteligente e extremamente sagaz, apesar da pouca idade.
    Já os criados a temiam, pois os destratava e exigia que fizessem coisas absurdas, com a ameaça de que se não a obedecessem ela diria ao Rei que eles não estavam a tratando como ela merecia e eles então seriam mandados embora.
     Certo dia ao entrar no quarto de Clair deparei-me com ela gargalhando enquanto a pobre Violet, a governanta, recolhia e limpava a refeição que minha filha havia jogado propositalmente no chão.  Reprendi ela por sua atitude, porém ela não se abalou. Não preocupava-se com o que dizia seu único medo era que Vincent soubesse.
     Clair já estava com quatorze anos e cada vez mais perversa. E o que fazia sentir-me pior era a minha passividade perante seus atos. Mas algo maior, uma força estranha que não conseguia explicar, não me deixava agir.
     Até que algo terrível aconteceu, certa noite Vincent e eu chegávamos de uma viagem e ao entrar no castelo escutamos os gritos de Violet, ela gritava por socorro. Corremos até o quarto de Clair, mas era tarde demais, Violet estava estendida no chão ensanguentada e Clair a olhava com um brilho assustador nos olhos e uma faca na mão. Neste momento eu lembrei das palavras da verdadeira mãe de Clair e comecei a chorar desesperadamente.
     Foi então que aconteceu, como num passe de mágica, uma mulher apareceu ao lado de minha filha, pegou em sua mão trêmula. Então ao olha-la eu reconheci, não entendia como, mas ela não havia envelhecido um ano sequer. Vincent olhou-me assustado sem entender o que estava acontecendo. Neste momento a mulher falou.
    - Eu previ que isto iria acontecer, mas ignoraste o que lhe disse e não deixaste eu cuidar de minha filha.
    - Perdoe-me. Fui egoísta, queria ser mãe, dar um herdeiro à meu esposo. Não pensei nas consequências de meus atos. Agora suplico do íntimo de minha alma que ajude-nos se puderes.
   - Sim, ajude-nos ressaltou Vincent. Sei que não deveria ter concordado com a atitude de minha esposa, mas quando olhei pra Clair senti tanta ternura que não consegui deixa-la ir.
   - Só existe uma coisa possível nesta situação, encantarei todo o reino para que todos durmam por cem longos anos, este será o tempo necessário para a redenção de minha filha. Toda via para o reino despertar, ela deverá receber a mais pura demonstração de amor verdadeiro.
     E dizendo isto, uma névoa tomou conta de tudo em volta e todos caíram num sono profundo.
     Cem anos passaram-se e muitas lendas foram contadas sobre os moradores do reino. E conforme soube posteriormente nenhuma delas expressava a verdade. Muitos curiosos tentaram descobrir o que lá havia, sem sucesso, pois o caminho para chegar ao castelo era de difícil acesso devido a vegetação muito densa nasceu ao redor.
     Até que em um dia tempestuoso um jovem viajante cavalgava procurando abrigo e avistou o castelo. Decidiu entrar com seu cavalo pelos portões entreabertos e com sua espada cortou os galhos que impediam a passagem. Ele avistou a porta e entrou, não vendo ninguém subiu aos aposentos. Foi então que viu aquele cenário assustador, Violet morta, muito sangue ao redor, Vincent e eu desacordados e finalmente Clair, serena como um anjo. O jovem aproximou-se dela tocou seu peito e sentiu que seu coração batia forte, encantado com tanta beleza não resistiu e beijo-a com muita ternura. Neste momento nós despertamos, a névoa que envolvia o castelo se dispersou e para minha surpresa Violet também acordou.
     Clair e Arthur casaram-se e continuaram morando no castelo. Violet perdoou Clair e as duas tornaram-se grandes amigas. Porém eu nunca mais recebi o amor de Vincent. Após o acontecido ele passou a me ignorar. Vivíamos como estranhos em aposentos separados do castelo.
     Não suportava mais aquela situação, e no fundo sabia que era merecedora do desprezo de meu esposo. Então decidi partir, não anunciei minha partida, não suportaria ver Clair triste, pois mesmo após saber a verdade sobre sua origem, ela continuou me amando.
     Hoje vivo humildemente em um vilarejo distante do reino, apenas com as lembranças felizes do amor de Vincent e o remorso pelo sofrimento que causei a uma mãe, por puro egoísmo.

 Adaptação feita por Lilith.




A Bela Adormecida do Ozzy.



Era uma vez um reino encantado muito distante, flores, plantas e animais conviviam alegremente ao som dos rouxinóis em belos dias ensolarados. Em uma tarde de sol, a rainha e o rei passeavam pelos jardins do reino, quando o peixinho do lago ouviu a rainha queixar-se para o rei, lamentando a ausência de filhos. De repente, o peixinho surgiu na superfície do lago e disse para a rainha:
- Teu desejo será realizado, e logo terás uma filha!
O que o peixinho previra cedo aconteceu, e a rainha teve uma menina linda, com rosto angelical, cabelos claros e olhos castanhos como o mel, alegrando a vida do rei e da rainha. Então, o rei planejou uma grande festa para celebrar o nascimento da menina. Seu nome era Janis Joplin e todos no reino a adoravam. Para a festa, o rei providenciou boa comida e bebida e a melhor orquestra para celebrar o nascimento de Janis.
Compareceram parentes, vizinhos e amigos, inclusive as fadas do reino que pretendiam presentear a princesa Janis com suas melhores dádivas. Eram treze ao todo: uma concedeu-lhe virtude, outra beleza, outra saúde e outra riqueza, e assim por diante, até que a princesinha tinha tudo que havia de melhor no mundo. Mas quando a décima primeira fada havia concedido a sua dádiva, a décima segunda fada não quis conceder nenhuma dádiva, pois estava furiosa com o rei, devido ao fato dela não ter sido convidada para cantar na festa. A décima segunda fada se chamava Björk e era vocalista de uma banda de rock bastante ativa na região. Mas o rei julgou mais sensato contratar a orquestra do reino para a festa, e assim, ignorou a banda da fada Bjork. Furiosa, ela lançou sobre a princesa uma maldição: no seu décimo quinto aniversário, a princesa, irá ferir-se na agulha de uma vitrola ouvindo um extenso solo de rock progressivo, e então, cairá morta.
Então, a última fada, que ainda não havia concedido sua dádiva, pisou a frente, declarando que tal maldição deveria realizar-se, e que ela poderia suavizar tal sentença, a princesa Janis Joplin não morreria, apenas dormiria até o dia em que um príncipe lhe compusesse uma canção.
Porém, o rei esperava salvar sua amada filha da maldição, e ordenou que no reino jamais fosse executado um solo de guitarra se quer, nenhuma banda de rock ali poderia apresentar-se e nenhum disco de rock poderia ser comercializado ou reproduzido nas vitrolas da redondeza.
Com o passar do tempo, no reino só se ouvia música clássica e a princesa Janis parecia então, estar protegida da maldição. Ela cresceu com forte influência da melhor música erudita, sendo Mozart seu artista preferido. Mas aconteceu de, bem no dia de seu aniversário de quinze anos, uma camponesa que passava pelo castelo avistou a princesa sentada ao jardim real e se aproximou convidando Janis Joplin para passear. E neste passeio, a camponesa confessara que possuía guardado em um porão, o melhor disco do Pink Floyd, o Dark Side of the Moon uma banda de rock de terras distantes dali. Curiosa, a princesa Janis acompanhou a camponesa até a casa dela, e logo quis entrar pela estreita porta do porão e desbravar aquele pequeno espaço escuro em busca do disco de rock.
Ao alcançar o interruptor de luz, Janis aproximou-se da vitrola que reproduzia o disco do Pink Floyd e logo perguntou:
- Que tipo de som é este?
- É rock progressivo. - respondeu a camponesa. Um álbum raro do grupo Pink Floyd.
- Como é bonito o solo destas guitarras, disse Janis, ao se aproximar da vitrola. Quando ela quis aumentar o som, distraída, encostou o dedo na agulha da vitrola e foi dar sem vida no chão.
Neste momento, a princesa Janis, como que num encanto, apareceu caída na sala do seu castelo e a camponesa havia desaparecido misteriosamente. Desesperados, os pais da princesa ao deparar-se com ela caída ao chão, logo tentaram reanimá-la em vão. Em segundos, todos no castelo caíram uma a um, em um sono profundo. Tudo permaneceu onde estava. Empregados caíram no chão da cozinha, os cavalos adormeceram nos estábulos, até o fogo na lareira deixou de queimar. E assim tudo se aquietou profundamente.
Com o passar dos anos, espalhou-se pelo reino, o boato de que o castelo estaria enfeitiçado e que lá dentro, dormia uma bela princesa e toda a sua corte. Quem se aproximava do castelo, ouvia boatos sobre a maldição, e tentavam quebrar o encanto das mais diversas maneiras. Príncipes instrumentistas de todo o reino chegavam com seus instrumentos empunho, executando as mais belas composições eruditas, na esperança de que a princesa acordasse e por eles se apaixonasse.
Quando meu avô me contou essa história, com certo descaso, ele me disse:
- Ozzy Osborne, naquele castelo dorme uma bela princesa, que está sobre uma maldição. Vários príncipes já tentaram acordá-la, mas nada conseguiram até hoje.
- Eu vou acordar a Janis Joplin! E não vou sozinho, vou levar a Black Sabath comigo!
Meu avô tentou me impedir, mas eu estava decidido a acordar a princesa Janis Joplin ao som da minha banda, a Black Sabath e assim eu fiz. Logo ao entrar no castelo, ligamos todos os instrumentos e tocamos Paranóid ( um de nossos maiores sucessos), e no terceiro acorde, a princesa abriu os olhos, tomou meu microfone, seguindo cantando a música até o final. Com o som da sua bela voz rouca, a corte foi acordando, um a um, todos se puseram em pé, sacudindo a cabeça ao som do rock estridente que ecoava por todos os cantos do castelo. Depois disso, chamei a Janis para morar comigo e fazer parte da minha banda, a Black Sabath. Então saímos em turnê pelo reino numa Mercedes Bens, e até hoje no reino, ouve-se muito rock ‘n roll.

Postado por Dark Side Girl.

domingo, 1 de maio de 2011

A Bela Adormecida Ucraniana

  

 Irei lhes contar a história de minha vida. Quando completei meus trinta e cinco anos decidi me aventurar pelo mundo para conhecer novas pessoas, novas culturas. Em uma dessas viagens conheci um lindo rapaz em uma estação de trem na cidade de Liviv na Ucrânia. Foi amor a primeira vista, passamos a conhecer a cidade juntos. Em um de nossos passeios encontramos uma cigana numa feira de rua. Ela leu minha mão e previu que iríamos nos casar e teríamos uma linda filha, porém alertou-nos que até a menina completar quinze anos deveríamos ter certo cuidado, já que ela seria uma menina com uma beleza rara.
No ano seguinte, eu e Pedro nos casamos, alguns anos depois nossa linda menina, Rosa, nasceu. O dia de seu nascimento foi lindo, uma grande alegria para nós, nossos familiares e nossos amigos. Rosa tinha pele clara e cabelos pretos, mostrava ser esperta, radiosa, com uma beleza rara como a cigana havia previsto. Rosinha ia crescendo e encantando a todos que a conheciam, eu e Pedro tínhamos cuidado redobrado com ela.
Aos cinco anos ela entrou na escola e fez muitos amigos, dentre eles, Raul, filho de um estranho casal que morava próximo à nossa casa. Os anos se passaram e Raul demonstrava sentimentos por Rosa, porém ela só o via como amigo. Diversas foram as tentativas de Raul para se aproximar de Rosa, todas elas sem resultado. Como consequência minha filha optou por se afastar de Raul. Sua festa de quinze anos estava por acontecer e por escolha de Rosa, Raul não foi convidado.
Chega o dia da festa, muitos convidados estavam presentes, família, vizinhos, amigos e alguns colegas da escola. Rosa estava muito feliz, já que sua noite tão esperada havia chegado. Meu marido e eu estávamos radiantes. No meio da festa Rosa recebe um lindo pacote de presente, no cartão que o acompanhava tinha o seguinte dizer:
- Abra este lindo presente e surpreenda-se!
Porém não havia assinatura. Rosa, eufórica, abriu o presente, sua curiosidade era imensa. Ao abrir a caixa metálica que estava naquele lindo pacote, todos foram surpreendidos por uma forte energia cinzenta que tomou conta de todo o salão, fazendo com que todos os presentes adormecessem. Porém eu não fui tomada por aquela energia, no início não entendi, mas depois de alguns minutos reparei que usava um colar que a cigana havia me presenteado. Desesperada, fui atrás de respostas no presente de Rosa. No meio dos papéis de presente, achei outro bilhete:
            - Rejeitaste meu amor eterno, agora dormirás eternamente! Raul.
            Saí do salão a procura de Raul, chegando à sua casa não encontrei ninguém. O meu desespero aumentava cada vez mais. Procurava por respostas e não as achava. Rezei muito para que minha filha acordasse daquele sono profundo. Em uma noite, enquanto fazia minhas orações, adormeci e sonhei com aquela cigana que havia previsto meu futuro. No sonho ela me dizia que o encantamento teria fim quando um rapaz beijasse Rosa com amor, que eu apaziguasse meu coração e esperasse. Acordei mais calma e passei a vigiar aquele lugar.
            O tempo passou sem que eu percebesse, e em um dia que o sol adentrou pela porta, iluminando todo salão, visualizei um jovem rapaz que entrou e se dirigiu a Rosa. Ele a acariciou e a beijou apaixonadamente. Em poucos segundos Rosa despertou, quando me aproximei o jovem contou-nos que havia tido um sonho em que uma cigana mostrou-lhe uma linda jovem, que seria seu grande amor. A partir de então, ele passou a procurá-la. Naquela manhã, em que se encontrava sem esperanças, foi atraído pelos raios de sol que iluminavam aquela casa. Quando chegou a porta avistou Rosa adormecida profundamente, e teve a certeza de que ela era a jovem que ele procurava. A alegria dos dois envolveu a todos. Rosa estava desperta e havia encontrado seu grande amor.
            Meses depois, Rosa e Felipe casaram-se e foram felizes para sempre!

Postado por Lua

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Bela Adormecida


A história que vou contar se passa há muitos anos atrás, em um período onde tudo era cinza, tudo era névoa, onde a tristeza e a melancolia dominavam um povo. Povo esse que vivia em um longíncuo vilarejo, chamado FearVille, local esse dominado por muita magia, onde o bem e o mal era dividido por uma tênue linha, e escolher de que lado ficar era uma taréfa muito árdua.
Nesse lugar obscuro, vivia um governante, chamado Sebastian e sua bela, porém tímida esposa, Emma. Ambos sentiam uma grande necessidade de ter filhos, pois já estavam beirando os trinta anos e até então não haviam conseguido um herdeiro, que fosse seguir com as rédeas de FearVille. Certa noite de lua cheia, Sebastian veio me visitar, desesperado, pois por mais que tentassem, nunca conseguiam concretizar seu objetivo, ter um filho. Eu, grande estudioso, digamos que o mago, sacerdóte ou, popularmente conhecido como Bruxo, possuia uma infinidade de livros, algúns proibídos de serem lidos por pessoas tidas como normais, abri um de meus livros, cujo nome não mensionarei, e li para nosso governante o feitiço, ele aceitou sem pensar duas vezes, ele precisava de um filho, não se importava com o preço a ser pago, mas o que ele não levou em consideração, é que, junto com a benção, vinha uma maldição, e essa maldição poderia ser a ruína de toda nossa civilização.
Na próxima noite, de sexta-feira, Sebastian e Emma comparaceram ao altar no meio da floresta, onde a cerimônia seria realizada, tudo ocorreu como esperado, trouxeram todos os presentes a serem oferecidos, depositaram-nos no altar, ajoelharam-se e pediram com todas suas forças uma menina, uma filha que seria sua princesinha, a alegria que faltava em suas vidas, a luz que faltava no vilarejo. Logo após realizarem o pedido, surge em meio aos galhos uma linda mulher, a mais bela que já havia sido vista, com um semblante sereno, ela caminhou bem devagar até ambos, passou a mão suavemente no rosto de Emma e disse:
-Essa noite seu pedido será realizado, você engravidará, e dentro de nove meses dará a luz a uma linda menina.
Emma agradecida, com brilho no olhar beijou as mãos da mulher, mas logo em seguida a bela mulher começou a falar novamente:
-No dia que sua filha completar quinze anos, quero que vocês  tragam-na para me conhecer, quero abençoa-la, caso isso não aconteça, eu a amaldiçoarei.
Promessas feitas, cerimônia encerrada, a linda mulher sumiu entre as árvores, Sebastian e Emma foram para sua casa radiantes, e eu retornei para minha humilde casa com o sentimento de dever cumprido, mas com medo das promessas não serem honradas, e acabarmos pagando por esse ato.
Passaram-se nove meses e a linda menina nasceu, Elisabeth era seu nome, radiante, brincalhona, esperta, enfim, tudo que seus pais haviam pedido,   estranhamente, junto com a menina, veio uma nova era, uma era de Luz, onde o cinza deu lugar ao azul, a névoa deu lugar ao sol, e a felicidade estava estampada no rosto de cada um, meus serviços se tornaram cada vez menos procurados, ninguém mais me pedia pra fazer o mal aos outros, ninguém mais me pedia pra resolver seus problemas, enfim, a paz reinou no nosso vilarejo por quinze anos. No dia do aniversário de Elisabeth, toda Fearville se mobilizou, decoraram o salão, produziram bebida e comida para alimentar uma geração de moradores, tudo para a grande noite, a maior festa já vista em Fearville. É óbvio que ninguém lembrou da linda mulher que outrora concedeu a eles o maior desejo de suas vidas. Mas tudo bem, a festa foi um sucesso, todos beberam e dançaram músicas típicas, divertiram-se muito. Um minuto passado da meia noite, uma trovoada ensurdecedora no céu assustou a todos, junto com a trovoada, raios, muito medo no ar, correria de pessoas para todos os lado. Eu não me assustei, já sabia o que estava por acontecer, não havia nada para ser feito, somente aceitar o destino, e esse destino chegou bem rápido, no céu surge um dragão cuspindo fogo, queimando nossas residências, destriundo tudo que via pela frente, Emma e Sebastian, horrorizados, buscavam por Elizabeth que estava no meio da multidão enlouquecida, logo a encontraram, mas no mesmo momento que isso aconteceu, o dragão desceu em meio as ruínas e tomou forma humana, não coincidentemente é a forma da mulher que, há quinze anos atras consedeu o desejo aos pais da menina. Ela se aproximou e falou:
-Eu sabia que não lembrariam de mim, que seu egoísmo seria maior do que suas lembranças, os seres humanos são todos iguais, muito previsíveis, não sei por que ainda tento ajudá-los. Hoje vim me vingar de vocês, hoje, eu amaldiçoo sua filha, sua família e seu maldito vilarejo, por cem anos, vocês perecerão, apodrecerão aqui, condenados a serem mortos vivos, seres vegetativos, vocês só voltarão a vida quando um homem que ame sua filha da maneira que ela for a beijar, até então apodreçam!
Suas unhas de dragão começaram a crescer novamente, e ela desfigurou a princesa, acabou com toda a beleza que ela possuia, e nesse exato momento ela olhou pra mim e disse:
-Você será o guardião dessa vila maldita, você, eu condeno a vida eterna, estará sempre aqui tomando conta dessa gente fedorenta e mesquinha!
Depois disso ela voltou à forma de dragão e voou, até onde não consegui mais avistá-la, quando olhei em minha volta, todos estavam caídos no chão, a névoa voltou a tomar conta de Fearville, e a princesa estava com o rosto totalmente deformado, um verdadeiro monstro, peguei-a em meus braços e a coloquei deitada em sua cama, e ali ela ficou por longos e vagarosos anos. Vários rapazes vieram ao vilarejo ao longo dos anos, mas quando viam a pobre Elizabeth desfigurada fugiam com nojo e repulsa, até que, depois de cem anos, surgiu um rapaz, muito belo e robusto, provavelmente com uns vinte anos de idade, estranhei sua chegada, ele vinha junto de um cachorro que aparentemente o guiava, fui ao seu alcance e logo percebí que seus olhos eram diferentes, não possuiam o brilho normal dos olhos dos jovens, mas não dei muita importancia. O Jovem, chamado Adam logo começou a falar:
-Senhor, eu vim atrás de Elisabeth, sonho com ela há mais de cinco anos, todas as noites, e nesses sonhos ela pede pra eu  encontrar-la, ela tem me guiado por todo esse tempo, nem sei quanto tempo faz que estou longe de minha casa, nem sei mais onde fica pra falar a verdade, eu só tenho um objetivo, encontrar Elisabeth e só existe um sentimento em meu coração, um grande e infinito amor.
Nesse momento eu soube que a maldição seria desfeita, imediatamente levei o jovem até o quarto de Elisabeth, onde ele, com a ponta dos dedos tocou naquele rosto desfigurado, encontrou aqueles lábios, que há muitos anos não sentiam nenhum toque, e carinhosamente a beijou, nesse momento, uma lágrima corre no olho esquerdo de Elisabeth, e como num passe de mágica tudo começa a voltar ao normal, as pessoas começam a acordar, o sol começa a brilhar, os pássaros a cantar, os olhos da menina se abrem, e ela volta a beijar o jovem rapaz, com paixão. O vilarejo volta ao normal em poucas semanas, e logo é marcado o casamento de Elizabeth e Adam, que a ama de verdade mesmo ela sendo totalmente deformada, afinal , o amor é cego, e o Adam também!
Conto Reescrito por Mr. Thominus